Reconhecer os sinais de uma situação de crise, saber como agir e, principalmente, compreender quando e como intervir. Esses foram alguns dos pontos centrais trabalhados durante a formação “Manejo da crise e intervenção física no ambiente escolar”, realizada nesta terça-feira (25), na Escola M. Prof. Renato Azevedo, unidade especializada da rede.
Promovida pela Prefeitura de Cabo Frio, a capacitação reuniu profissionais para um momento de orientação, troca de experiências e construção de estratégias para lidar com os alunos em situações que podem envolver sofrimento psíquico, agitação ou desorganização comportamental.
A formação foi conduzida pelo enfermeiro Lucas de Oliveira, especialista em Enfermagem em Saúde Mental e responsável técnico do Núcleo de Saúde Mental do município, e pelo psicólogo Aleksander Henrique Félix, que atua na área de Saúde Mental e Atenção Psicossocial, com experiência no acompanhamento de situações de crise e na construção de estratégias de cuidado.
A capacitação priorizou orientações relacionadas ao acolhimento, comunicação, redução de estímulos, proteção e acionamento da rede de apoio, colaborando para um melhor manejo de episódios de crise e situações similares. A contenção física também foi discutida de maneira crítica e responsável, sendo apresentada como medida excepcional, indicada somente diante de risco significativo e imediato à integridade física do estudante ou de terceiros, sempre considerando princípios éticos, legais e de proteção integral.
Segundo Lucas, a aproximação entre as áreas de Saúde e Educação é fundamental para qualificar a atuação dos profissionais diante dessas situações.
“Nosso objetivo foi trazer informações e estratégias que possam ajudar os profissionais a reconhecer e manejar situações de crise com mais segurança, calma e acolhimento. Mais do que falar sobre intervenção, buscamos reforçar a importância da prevenção, do cuidado e do respeito ao estudante. Essa aproximação entre Saúde e Educação é fundamental para construirmos juntos um ambiente escolar mais preparado e acolhedor”, destacou o enfermeiro.
“É muito importante esse diálogo entre a educação e a rede de Saúde Mental do município. Pensar em uma intervenção adequada à crise é pensar em uma nova forma de cuidado que considere as limitações e contextos em que o sujeito está e proporciona uma nova forma de escuta e vínculo entre alunos e equipe pedagógica. O cuidado ampliado e pensado de forma coletiva entre os diferentes setores é o caminho pra um ambiente escolar cada vez mais acolhedor e capacitado”, complementou o psicólogo Aleksander Henrique.
O encontro foi uma iniciativa das Supervisões de Educação Inclusiva e Acessibilidade e de Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Superintendência Educacional de Saúde, a Coordenadoria de Saúde Mental e o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi).
De acordo com a supervisora de Educação Inclusiva e Acessibilidade, Juliana Veiga, a formação integra uma política de fortalecimento das práticas inclusivas e de uma cultura escolar baseada em prevenção, respeito e cuidado. “Uma escola inclusiva precisa estar preparada para acolher diferentes necessidades e situações, sempre colocando a proteção, a dignidade e os direitos dos estudantes em primeiro lugar. Essa formação amplia o conhecimento dos nossos profissionais e fortalece a atuação conjunta entre Educação, Saúde e a rede de proteção, contribuindo para que as situações de crise sejam tratadas com mais segurança e responsabilidade”, destacou.
A capacitação também está alinhada às ações fomentadas pela Secretaria Municipal de Educação este ano em torno do Dia Municipal da Educação Especial, instituído pela Lei Municipal nº 4.784/2026.