A Escola Municipal Arlete Rosa Castanho, localizada no bairro Ville Blanche, em Cabo Frio, promoveu uma programação especial em celebração ao Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A unidade, única instituição bilíngue para surdos da Região dos Lagos, reuniu alunos, familiares e profissionais da educação em um dia marcado por inclusão, acolhimento e muita integração.
A ação integrou o projeto “Cuidar de quem cuida de mim” e contou com apresentações artísticas, dinâmicas em Libras, exposição de trabalhos dos estudantes e momentos de convivência. Um dos destaques foi a apresentação de forró protagonizada pelos alunos do grupo de dançaterapia, coordenado pelo professor Allan Lobato, reforçando o papel da arte como instrumento de inclusão.
Para o diretor da unidade, Fábio Souza, a celebração reforçou a importância da escola como referência regional e como espaço de promoção da inclusão.
“Nossa escola tem 40 anos de fundação e é a única da Região dos Lagos. Atendemos alunos de vários municípios. Temos a missão de ensinar Libras para melhorar a comunicação entre todos, não só na comunidade surda, mas também com as famílias e no mercado de trabalho. É um orgulho para a Prefeitura de Cabo Frio manter essa escola e esse trabalho tão importante”, destacou.
A presença dos familiares foi um dos pilares da programação. Para Jaqueline Lima, mãe do aluno Kayck, a escola representa um espaço inclusivo para o desenvolvimento dos estudantes surdos ou com audição reduzida.
“Meu filho já tentou estudar em outro lugar, mas aqui é o mundo dele. É fundamental que nós, as famílias, estejamos juntos, incentivando o estudo da Libras, que é essencial para a comunicação não só na escola, mas dentro de casa também”, afirmou.
Aluno da 3ª série do Ensino Médio, Kayck Lima destacou sua trajetória de aprendizado. “Eu comecei a estudar aqui no ano de 2020. Eu via os outros surdos usando Libras, mas eu não entendia nada. Eu fui estudando aos poucos e, com o passar do tempo, eu aprendi mais. É muito importante aprender Libras e incentivar a todos a aprender também”, disse.
“Para mim, a Língua de Sinais significa inclusão e troca de conversas com os meus amigos surdos”, complementou o aluno Renan Braga, da 2ª série do Ensino Médio.
O professor e intérprete de Libras da unidade, Delfim Morais, aproveitou o momento para conscientizar sobre a Língua Brasileira de Sinais.
“Um dos mitos que existem por aí é que a Língua de Sinais é universal, e não é. Cada país possui a sua. A Libras também não é uma tradução do português, ela tem estrutura própria, totalmente diferente e independente da estrutura frasal e sintática da Língua Portuguesa. Queremos que mais pessoas conheçam a Libras como, de fato, ela realmente é”, ressaltou.