Professores da rede pública municipal de Cabo Frio estão ampliando seus conhecimentos e fortalecendo as práticas inclusivas por meio do curso de capacitação “Alfabetização de Crianças com Deficiência Visual”. Promovida pelo Instituto Benjamin Constant (IBC), ligado ao Ministério da Educação, a formação reúne docentes que atuam no Atendimento Educacional Especializado (AEE), serviço voltado ao suporte pedagógico complementar aos estudantes com deficiência, além de professores inscritos dos municípios de Araruama e Arraial do Cabo. A programação acontece na Escola Municipal Alfredo Castro e segue até sexta-feira (06).
O secretário municipal de Educação, Alessandro Teixeira, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento da política de inclusão no município e ampliação das possibilidades de atuação dos educadores:
“Investir na formação continuada é investir diretamente na qualidade do ensino que oferecemos aos nossos estudantes. Quando ampliamos o preparo dos professores, ampliamos também as oportunidades de aprendizagem, especialmente para os alunos que demandam estratégias e recursos específicos. Nosso compromisso é com uma educação pública cada vez mais inclusiva, equitativa e capaz de promover oportunidades reais de desenvolvimento para todos”, afirmou.
Com carga horária total de 40 horas, o curso presencial tem como objetivo introduzir conhecimentos básicos sobre o processo inicial de alfabetização de crianças cegas e com baixa visão, apoiando o processo de escolarização no ensino comum, a partir de uma abordagem de base vigotskiana.
A coordenadora e ministrante do curso, Fabiana Alvarenga Rangel, doutora e mestre em Educação e professora do Departamento de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão do IBC, falou sobre a proposta:
“Com esse curso, entendemos que não só fortalecemos os laços com as diferentes regiões do Rio de Janeiro, estado sede do IBC, como temos a oportunidade de avançar nos processos de inclusão de estudantes com deficiência visual. Hoje, a alfabetização é um gargalo em toda a educação brasileira e isso não é diferente na educação de crianças cegas e com baixa visão. Por isso, a transformação da prática docente requer os esforços das redes de educação em promover formações que viabilizem processos mais inclusivos em toda a sociedade”, disse.
A ementa contempla conteúdos como caracterização da deficiência visual e seus aspectos clínicos mais comuns; condições de leitura e escrita para pessoas cegas e com baixa visão; recursos de tecnologia assistiva; Sistema Braille; especificidades da alfabetização em Braille e em tinta; além do registro de números no soroban (unidade e dezena).
O programa está organizado em módulos que abordam desde o conhecimento das especificidades da deficiência visual até práticas relacionadas à leitura e à escrita, incluindo o uso de recursos pedagógicos e tecnológicos que favorecem o desenvolvimento e a participação dos estudantes.
A metodologia combina exposição teórica e atividades práticas, promovendo a interação ativa dos participantes. Para a certificação, além da frequência mínima, é exigida a elaboração de um plano de aula voltado à alfabetização de crianças com e sem deficiência visual, com produção de material ou recurso especializado que garanta a participação dos estudantes.