O Horto Municipal recebeu, neste sábado (07), mais uma edição da Feira Quilombola, em clima especial de Carnaval. A iniciativa reuniu produtores quilombolas de Cabo Frio e Região dos Lagos, promovendo a valorização da cultura afro-brasileira, da agricultura familiar, do artesanato tradicional e da economia solidária.
Com decoração temática, música e um ambiente acolhedor, a edição carnavalesca reforçou o caráter cultural da feira, que acontece mensalmente e já se consolidou como um espaço de geração de renda e reconhecimento dos saberes ancestrais dos povos quilombolas.
Para a organizadora da feira, a engenheira ambiental e sanitarista Alessandra Rangel, a proposta para este ano é ampliar ainda mais o alcance do evento, apostando em edições temáticas e no fortalecimento da identidade afro-brasileira.
“Estamos muito empolgados para 2026. A feira vem crescendo, com aumento de público e maior visibilidade, graças também à parceria com a Prefeitura de Cabo Frio. A proposta é trabalhar com feiras temáticas ao longo do ano, como essa edição de Carnaval, sempre valorizando a cultura afro e os saberes quilombolas. Nosso objetivo é dar visibilidade aos fazimentos do nosso povo, seja na gastronomia, na agricultura familiar ou no artesanato ancestral, respeitando a natureza e fortalecendo a autonomia econômica das comunidades”, destacou Alessandra, que também é quilombola da comunidade de Maria Romana.
A Feira Quilombola oferece uma variedade de produtos agrícolas, alimentos artesanais, peças de artesanato tradicional, como o feito a partir da taboa, além de itens de decoração. A iniciativa é uma realização da Cooperativa Quilombola da Região dos Lagos (Cooperquilombo) e da Cooperativa da Agricultura Familiar da Região dos Lagos (Coopalagos), com apoio da Prefeitura, por meio das secretarias de Meio Ambiente, Clima e Saneamento e de Cultura, além da chancela do Governo Federal e do Ministério da Cultura, em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, via Política Nacional Aldir Blanc.
Moradora de Tamoios, a artista quilombola e autodidata, Roselene Pereira, participou pela segunda vez da programação, apresentando trabalhos autorais em peças como canecas, telas e itens decorativos, que unem arte, identidade e produção familiar. A artista celebrou a importância do espaço como ferramenta de inclusão e reconhecimento.
“Essa feira é extremamente positiva porque dá visibilidade à cultura do nosso povo, às nossas comunidades quilombolas, que historicamente estiveram invisibilizadas. Aqui, as pessoas conhecem nossa arte, nossa gastronomia e passam a ter mais consciência social. É um espaço que mostra que nós existimos e que o que fazemos tem muito valor. Para mim, como artista quilombola, é uma oportunidade de mostrar meu trabalho, gerar renda e ocupar um lugar que também é nosso”, afirmou Roselene.
Nesta edição, a feira contou com a participação especial de Júnior Carriço e Jisele Gaspar, no comando da programação musical, com repertório repleto de brasilidade. Realizada todo segundo sábado do mês, a Feira Quilombola acontece no Horto Municipal Ângelo Trindade Marques, localizado na Avenida Henrique Terra, s/n, no bairro Portinho, com entrada gratuita.